Valores psicossociais das personagens de Don’t toy with me Nagatoro-san

19 de maio de 2021
Notícia

Ijiranaide Nagatoro-san (Don’t toy with me Nagatoro-san) é um manga escrito e ilustrado por Nanashi, que recebeu recentemente uma série anime. Esta como sabemos é alvo de polémicas por colocar um rapaz em situações controversas. Contudo, por detrás de muitos inuendos sexuais e “Senpais” não consigo ignorar o facto que Ijiranaide Nagatoro-san é uma série extremamente interessante num ponto de vista psicossocial. Embora o seu número de personagens se resuma a uma mão-cheia, todas são dotadas de valores esmiuçáveis para quem vibra com a psicologia humana.

Começamos pelas supostas amigas da Nagatoro, Gamo-chan e Yoshi. Curiosamente, reparo que esta dupla infernal, não tem o devido destaque nas conversas ou discussões da série, pois apresenta condições psicossociais bem interessantes. Estas representam a faixa de indivíduos que usa elementos de prestígio, para destacar ou se afirmar num grupo social. Gamo-chan, usa a projeção da Nagatoro, para se manter numa posição socialmente favorável, a jovem imita as mesmas ações e valores para permanecer no mesmo. Certas vezes quando é confrontada, ou seja, quando faz frente à Nagatoro, entra em pânico porque sabe se perder o seu elo social, não pode viver o seu Superego, e regressa ao estado banal de uma estudante normal.

Contudo, Yoshi, a outra companheira sempre acompanhada da Gamo-chan, consegue ir mais além destes registos, porque bateu ainda mais fundo no poço. A jovem não tem absolutamente nem voz, nem voto em qualquer assunto. Age de força automática, imitando quer ações como a última palavra de uma frase de destaque para se manter no grupo. Um dos registos mais interessantes desta foi durante um episódio, quando manifestou uma atitude própria e voluntária, e foi imediatamente confrontada pela Gamo-chan, para manter a sua posição social teve de voltar ao seu estado habitual.

Quanto à própria Nagatoro, de início foram quase intragáveis as situações que colocava o seu Senpai. Contudo, com desenrolar da série e acontecimentos estas passaram a ser mais “teases” que outra coisa. Isto porque o bullying nesta fase é uma fachada, e sem se dar conta apaixonou-se pelo Senpai, pelo simples facto deste ser autêntico, amável, preocupado com o seu bem-estar, e perseguir os seus sonhos. Contudo, como vivem em mundos muito diferentes, a única forma que encontrou de aproximação foi esta via. No fundo, a Nagatoro também deseja que o rapaz aja com mais confiança, saiba-se impor e por essa razão as constantes provocações. Também em certos registos, a Nagatoro parece gradualmente querer evadir-se do seu mundo de “Gal” e de indivíduos falsos e superficiais que se julgam melhores apenas pela sua aparência, este manifesto geralmente surge quando está acompanhada de outros rapazes, e age sem brio.

Finalmente temos o Senpai (que parece se imenso com o protagonista de Persona 5), alguém desconhecemos o nome, e parece que no passado sofreu de um grande dissabor social -ou quem sabe trauma- e devido a esse acontecimento manifesta em todos os momentos uma enormíssima falta de confiança. Nesta fase o Senpai, refugia-se na sua bolha de conforto, ou seja, o Clube de Arte. É evidente que com o desenrolar de acontecimentos o jovem desenvolveu sentimentos amorosos pela Nagatoro, mas como são um misto de sensações que desconhece e geram confusão com a sua psique não encontra definitivamente com viabilidade para os corresponder. Também se aproximou mais do íntimo da sua amiga, por ser a única pessoa que interagiu com a sua perturbada personalidade.

Como veem por detrás de muita polémica, Ijiranaide Nagatoro-san, esconde muitos valores psicológicos e uma leque de personagens absolutamente deliciosas nesta temática. Foi interessante ver o crescimento das suas personagens e tudo aponta que com o desenrolar da série, e quem sabe uma segunda futura temporada, estas sementes produzam frutos ainda mais ricos e sumarentos.

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